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Terra Blog

18.01.08

Singularidades vespertinas

[...]nada queria além de entender a solução da solidão impiedosa em aparecer."

Foi apenas um olhar atento sobre os telhados das velhas casas no centro de Curitiba. Ali nas imediações, encontravam-se os redutos de pessoas distantes de presenciarem a amadora felicidade, de encontrar abraços, aliás, abraços recebiam, vez em outra, de alguma informalidade casual.
O telefone já tocara muitas vezes, todos eram apenas especulações matinais, nada resolvia para concluir, que os fatos com prazo vencidos, tinham mais algumas horas de acréscimo. Resolveu não atender mais o telefone naquela manhã, saiu com passos mais rápidos que um cão desesperado atrás de seu dono.
No instante anterior a sua decisão escutou uma conversa de pessoas distraídas sobre o tempo ocioso de estar na procura de um filme fora de catalogo. Esta conversava ecoava em sua cabeça, que nada queria além de entender a solução da solidão impiedosa em aparecer.
Escutou um ruído de um carro que derrapou no asfalto quente, a rua tumultuada de gente apressada, as lojas com sua roupas desbotadas, e as calçadas úmidas do calor, tudo isso, foi motivo suficiente para voltar para o silêncio dos seus momentos. Antes de voltar para o seu apartamento, resolveu comprar um suco de laranja.
O apartamento estava com as janelas fechadas, e os urubus ilustravam os telhados das velhas casas. Sem pedir licença para si mesmo, abriu as janelas ferozmente. Despistou o olhar e após olhar atentamente os telhados, e os prédios vizinhos, resolveu contorna-los e se fixou a olhar os carros que passavam em uma velocidade alta, naqueles momentos, talvez fosse melhor atender ao telefone.
A campainha tocou, nada seria tão injusto, como uma visita naquela hora, mas resolveu atender a porta. Não foi nada além de um aviso da portaria sobre a reunião do condomínio. Sentiu-se aliviado em rapidamente poder voltar para seu próprio universo.
A televisão ligada foi sinal que a solidão começava a preocupar, o sofá espaçoso tinha lugar de sobra, e nem um comentário tinha direito de fazer. Desistiu de continuar em frente ao televisor. Encaminhou-se para o quarto, que ficava no sentido oposto da janela das paisagens dos telhados. Sem perceber pegou-se a olhar perdidamente o os pertences bagunçados, a cama vazia, lençol desarrumado e, o único travesseiro atravessado. O guarda roupas ainda sustentava lembranças de passados recentes.
A partir daquele dia, não pensou mais em conseguir apenas olhar os velhos telhados e os carros apressados nas avenidas.

  • criado por  Bruno Scuissiatto criado por Bruno Scuissiatto
  • Postado em 00:50:01
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