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	<title>N&#227;o sou nenhum VERISSIMO</title>
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	<description>Blog do zine N&#227;o sou nenhum VERISSIMO.</description>
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		<title>fustigar sil&#234;ncios</title>
		<link>http://naosounenhumverissimo.blog.terra.com.br/fustigar_silencios</link>
		<dc:date>24.01.08</dc:date>
		<dc:creator>Bruno Scuissiatto</dc:creator>
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a escuto como quem faz uma prece de sil&#234;ncio. a vejo sinceramente,&#160;um espelho ao avesso com o rosto voltado para voc&#234; mesmo. a sinto quando n&#227;o mais minto para mastigar a inoc&#234;ncia. </description>
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		<title>Voltas e revoltas.</title>
		<link>http://naosounenhumverissimo.blog.terra.com.br/voltas_e_revoltas</link>
		<dc:date>22.01.08</dc:date>
		<dc:creator>Bruno Scuissiatto</dc:creator>
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Cansada e fustigada de tanta viol&#234;ncia em casa, Clara resolveu mudar. Por mais que se mudar fosse uma atitude incerta demais, ela precisava de uma chance para recome&#231;ar distante de todos. As longas caminhadas pelas ruas infinitas da cidade a fizeram pensar in&#250;meras vezes em voltar para o capricho inocente do lar. A vida n&#227;o estava f&#225;cil, a situa&#231;&#227;o ca&#243;tica do mercado de trabalho, a falta de experi&#234;ncia, e o pouco conhecimento do centro da cidade, a levaram a suspender suas tentativas em atra&#231;&#227;o para n&#227;o precisar mais se perder. Mesma contraria retornou para sua casa. Os ecoantes gritos do seu pai, e a harm&#244;nica submiss&#227;o de sua m&#227;e, a faziam ver como a vida n&#227;o tinha nenhum argumento para ser inocente. Trancada em seu quarto, escutou mais algumas sess&#245;es extras de discuss&#245;es familiares. A rotina em sua casa era assim. O mundo adolescente se comp&#244;s contr&#225;rio a sua singularidade de sempre imaginar a vida sem plural de acontecimentos. Na rua sempre encontrava oportunidades que vinham de homens n&#227;o muito interessados na experi&#234;ncia, ou falta dela. Os detalhes de sua pele clara, seus olhos castanhos claros e cabelos negros e lisos ocultavam as outras habilita&#231;&#245;es. Clara presenciou cada vez mais homens dispostos e serem empregadores com mais benef&#237;cios sobre a funcion&#225;ria. O tempo passou, seu pai e seus gritos cada dia mais desafinados, n&#227;o ecoavam tanto dentro de casa. Sua m&#227;e agora j&#225; conseguia evocar sua opini&#227;o, principalmente nos assuntos que envolviam a filha. Clara j&#225; conseguira um emprego, conseguia instabilidade para morar sozinha e n&#227;o precisar presenciar todas aquelas imagens e sons que a maltratavam diariamente. Aqueles belos olhos castanhos judiaram bastante de v&#225;rios homens, mas especialmente em um, ele foi fundamental para mudar toda a hist&#243;ria. Jo&#227;o Carlos &#233; um rapaz rec&#233;m chegado de uma cidade serrana e &#233; estudante de direito. Residente nas proximidades da universidade, acaba rendendo-se as festas e encontros universit&#225;rios. Em uma delas, conhece Clara e naquele instante nada mais tinha valor. O conhecer arrebatador de Jo&#227;o &#233; apenas visual, n&#227;o chegou a proferir uma &#250;nica palavra. Mas apaixonado e perdidamente extasiado com o belo retrato constru&#237;do da composi&#231;&#227;o de Clara, ele passou a viver cada dia mais a imaginando. Jo&#227;o n&#227;o sabia, mas Clara nestas alturas j&#225; tinha marido, e estava com um beb&#234; a tira colo. Neste intervalo de lembran&#231;as a viu, naquele instante o mundo parou e sorriu delicadamente. Jo&#227;o aproximou-se e disse: __ Oi. Tudo bem? __ Sim, vou bem. __ Clara? __ Sim e voc&#234;? __ Jo&#227;o __ Belo nome, mas n&#227;o sei quem &#233; voc&#234;? Neste momento Jo&#227;o sentiu que tudo o que sentia era puro del&#237;rio imagin&#225;rio de uma paix&#227;o visual. Apenas despistou, inventou uma mentira qualquer e seguiu seu rumo. O ano passou, a esta&#231;&#227;o mudou, mas Clara continua sofrendo as conseq&#252;&#234;ncias de casar e ter que ag&#252;entar o autoritarismo do casamento. Seria o presente repetindo os momentos do passado. Certa noite lembrou-se que o nome do seu segundo filho ser&#225; Jo&#227;o. E n&#227;o sabe o real motivo.</description>
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	<item rdf:about="http://naosounenhumverissimo.blog.terra.com.br/singularidades_vespertinas">
		<title>Singularidades vespertinas</title>
		<link>http://naosounenhumverissimo.blog.terra.com.br/singularidades_vespertinas</link>
		<dc:date>18.01.08</dc:date>
		<dc:creator>Bruno Scuissiatto</dc:creator>
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[...]nada queria al&#233;m de entender a solu&#231;&#227;o da solid&#227;o impiedosa em aparecer.&#34;







Foi apenas um olhar atento sobre os telhados das velhas casas no centro de Curitiba. Ali nas imedia&#231;&#245;es, encontravam-se os redutos de pessoas distantes de presenciarem a amadora felicidade, de encontrar abra&#231;os, ali&#225;s, abra&#231;os recebiam, vez em outra, de alguma informalidade casual. O telefone j&#225; tocara muitas vezes, todos eram apenas especula&#231;&#245;es matinais, nada resolvia para concluir, que os fatos com prazo vencidos, tinham mais algumas horas de acr&#233;scimo. Resolveu n&#227;o atender mais o telefone naquela manh&#227;, saiu com passos mais r&#225;pidos que um c&#227;o desesperado atr&#225;s de seu dono. No instante anterior a sua decis&#227;o escutou uma conversa de pessoas distra&#237;das sobre o tempo ocioso de estar na procura de um filme fora de catalogo. Esta conversava ecoava em sua cabe&#231;a, que nada queria al&#233;m de entender a solu&#231;&#227;o da solid&#227;o impiedosa em aparecer. Escutou um ru&#237;do de um carro que derrapou no asfalto quente, a rua tumultuada de gente apressada, as lojas com sua roupas desbotadas, e as cal&#231;adas &#250;midas do calor, tudo isso, foi motivo suficiente para voltar para o sil&#234;ncio dos seus momentos. Antes de voltar para o seu apartamento, resolveu comprar um suco de laranja. O apartamento estava com as janelas fechadas, e os urubus ilustravam os telhados das velhas casas. Sem pedir licen&#231;a para si mesmo, abriu as janelas ferozmente. Despistou o olhar e ap&#243;s olhar atentamente os telhados, e os pr&#233;dios vizinhos, resolveu contorna-los e se fixou a olhar os carros que passavam em uma velocidade alta, naqueles momentos, talvez fosse melhor atender ao telefone. A campainha tocou, nada seria t&#227;o injusto, como uma visita naquela hora, mas resolveu atender a porta. N&#227;o foi nada al&#233;m de um aviso da portaria sobre a reuni&#227;o do condom&#237;nio. Sentiu-se aliviado em rapidamente poder voltar para seu pr&#243;prio universo. A televis&#227;o ligada foi sinal que a solid&#227;o come&#231;ava a preocupar, o sof&#225; espa&#231;oso tinha lugar de sobra, e nem um coment&#225;rio tinha direito de fazer. Desistiu de continuar em frente ao televisor. Encaminhou-se para o quarto, que ficava no sentido oposto da janela das paisagens dos telhados. Sem perceber pegou-se a olhar perdidamente o os pertences bagun&#231;ados, a cama vazia, len&#231;ol desarrumado e, o &#250;nico travesseiro atravessado. O guarda roupas ainda sustentava lembran&#231;as de passados recentes. A partir daquele dia, n&#227;o pensou mais em conseguir apenas olhar os velhos telhados e os carros apressados nas avenidas. </description>
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	<item rdf:about="http://naosounenhumverissimo.blog.terra.com.br/ocio_das_tardes_de_janeiro">
		<title>&#211;cio das tardes de janeiro</title>
		<link>http://naosounenhumverissimo.blog.terra.com.br/ocio_das_tardes_de_janeiro</link>
		<dc:date>10.01.08</dc:date>
		<dc:creator>Bruno Scuissiatto</dc:creator>
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		<description>&#160;
&#160;&#34;prazer foi omitir a mentira disfar&#231;ada nas primeiras tardes de ver&#227;o&#34;
&#160;&#160;
[...] Com o acumulo da &#225;gua das &#250;ltimas chuvas fortes de ver&#227;o, o caos se perverteu para amassar a fatia mais insana do pensares mais humanos. O latido do cachorro af&#244;nico, ap&#243;s uma noite de festas revela o quanto os quereres foram mais insanos. Prazer foi omitir a mentira disfar&#231;ada nas primeiras tardes de ver&#227;o. Sentou-se para olhar a chuva, deixou a &#225;gua passar embaixo dos seus p&#233;s, com a m&#227;o esquerda segurava o guarda-chuva, e a m&#227;o direita, pin&#231;ava um cigarro de filtro fino, heran&#231;a esta oriunda dos filmes brit&#226;nicos da d&#233;cada passada. Os olhos enxergam mais que simples imagens, percorrem as pernas, encantos e pudores iconoclastas da modernidade. Logo sem pedir licen&#231;a, nem entender muito de progresso, chega um senhor, que pede um cigarro, sem muito social, solta o guarda-chuva e busca a carteira e entrega-o. Tinha certeza que o momento era &#250;nico, e naquele plano de chuva, guarda-chuva, cigarro, caos e modernidade, o retrato figurava como resultado de ser cena da realidade. N&#227;o pode continuar sentado, a chuva aumentou a for&#231;a, e os deveres o recrutavam para mais uma tarde. Ap&#243;s, dentro de casa, sentiu, que aquela cidade n&#227;o era seu lugar, precisava logo mudar de ares, para n&#227;o enfartar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . N&#227;o mudou, apenas come&#231;ou, diferente da chuva passada, agora faz retratos e desenha a realidade. </description>
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	<item rdf:about="http://naosounenhumverissimo.blog.terra.com.br/lembrancas_proprias">
		<title>Lembran&#231;as pr&#243;prias</title>
		<link>http://naosounenhumverissimo.blog.terra.com.br/lembrancas_proprias</link>
		<dc:date>28.12.07</dc:date>
		<dc:creator>Bruno Scuissiatto</dc:creator>
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&#34;o pudor sempre &#233; esquecido em nome das boas maneiras, mas nunca &#233; deixado de lado quando &#233; exigido em pensamentos&#34;.







Maria Clara sempre que podia passava na panificadora na volta do trabalho e comprava p&#227;es franceses para n&#227;o precisar sair na manh&#227; seguinte para compr&#225;-los. Costumava chegar do trabalho por volta do notici&#225;rio das 19 horas, vez em quando perdia as noticias por esbarrar em conversas descontra&#237;das com as vizinhas e conhecidos de bairro. Ao adentrar sua confort&#225;vel casa na Alameda dos Pinheiros primeiramente jogava sua bolsa sobre o sof&#225; e ligava o televisor no canal em que o apresentador era mais agrad&#225;vel que a noticia. Aumentava o volume, permitindo-se assim lavar o rosto tranquilamente e n&#227;o perder nenhuma mat&#233;ria do notici&#225;rio. Entre uma noticia e outra conseguia preparar o jantar e programar o pr&#243;ximo dia. Tudo acontecia em perfeita sintonia, sabia escolher suas renuncias e preparar o famigerado esp&#237;rito combalido de tanto sofrer nos &#250;ltimos anos. Quando sem querer escutou em uma propaganda uma frase que falava sobre o futuro e do futuro quis fugir, mas n&#227;o encontrou sa&#237;da, foi levada pelas lembran&#231;as para o mundo em que foi feliz. Neste tempo suas lembran&#231;as eram limpas e casuais, nada parecia lhe tirar o sorriso estampado em todas as manh&#227;s. Mas diferente daquele tempo parecia querer enfrentar a dor, que nunca ousou enfrentar. Forte demais n&#227;o permitiu as amarguras estragarem seus desejos, jurava a felicidade ser sua companheira, mesmo que algo acontecesse e a fizesse por momentos pensar de forma diferente. Relutou sobre tantas transforma&#231;&#245;es de pensamentos, pessoas e atitudes insanas. A perturba&#231;&#227;o sempre se desprendia do suposto jeito de sentir o mundo. Sentada na mesa enquanto jantava voltou seu olhar para o calend&#225;rio e come&#231;ou a contar quantos dias iria precisar para poder estar distante de toda aquela amea&#231;a de bem estar. Sem muito for&#231;ar descobriu que o homem com quem um dia trocou palavras de amor estava casado e distante da cidade onde morava. Ao mesmo tempo sentia que ficar presa na vontade sentimental n&#227;o era uma maneira mais eficaz de ambicionar a felicidade. A partir daquele instante Maria Clara descobriu que o pudor sempre &#233; esquecido em nome das boas maneiras, mas nunca &#233; deixado de lado quando &#233; exigido em pensamentos. O mundo come&#231;ava diferente para ela, durante suas jornadas de trabalho e conv&#237;vio com as pessoas do seu circulo de amizades era tudo correto, talvez fosse uma forma de esconder dos seus sentimentos a car&#234;ncia de nunca conseguir viver o amor novamente. Mas sempre que entrava na sua casa na Alameda dos Pinheiros voltava a sonhar com os embalos daqueles sentimentos e fazia de tudo para voltar a recordar tudo que um dia a presen&#231;a trouxe em sonho. Promete uma tarde dizer tudo o que sente sem precisar assinar contrato, at&#233; l&#225; o pudor continuar&#225; a ser exclusividade dos pensamentos... </description>
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	<title>N&#227;o sou nenhum VERISSIMO</title>
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		<dc:date>24.01.08</dc:date>
		<dc:creator>Bruno Scuissiatto</dc:creator>
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Cansada e fustigada de tanta viol&#234;ncia em casa, Clara resolveu mudar. Por mais que se mudar fosse uma atitude incerta demais, ela precisava de uma chance para recome&#231;ar distante de todos. As longas caminhadas pelas ruas infinitas da cidade a fizeram pensar in&#250;meras vezes em voltar para o capricho inocente do lar. A vida n&#227;o estava f&#225;cil, a situa&#231;&#227;o ca&#243;tica do mercado de trabalho, a falta de experi&#234;ncia, e o pouco conhecimento do centro da cidade, a levaram a suspender suas tentativas em atra&#231;&#227;o para n&#227;o precisar mais se perder. Mesma contraria retornou para sua casa. Os ecoantes gritos do seu pai, e a harm&#244;nica submiss&#227;o de sua m&#227;e, a faziam ver como a vida n&#227;o tinha nenhum argumento para ser inocente. Trancada em seu quarto, escutou mais algumas sess&#245;es extras de discuss&#245;es familiares. A rotina em sua casa era assim. O mundo adolescente se comp&#244;s contr&#225;rio a sua singularidade de sempre imaginar a vida sem plural de acontecimentos. Na rua sempre encontrava oportunidades que vinham de homens n&#227;o muito interessados na experi&#234;ncia, ou falta dela. Os detalhes de sua pele clara, seus olhos castanhos claros e cabelos negros e lisos ocultavam as outras habilita&#231;&#245;es. Clara presenciou cada vez mais homens dispostos e serem empregadores com mais benef&#237;cios sobre a funcion&#225;ria. O tempo passou, seu pai e seus gritos cada dia mais desafinados, n&#227;o ecoavam tanto dentro de casa. Sua m&#227;e agora j&#225; conseguia evocar sua opini&#227;o, principalmente nos assuntos que envolviam a filha. Clara j&#225; conseguira um emprego, conseguia instabilidade para morar sozinha e n&#227;o precisar presenciar todas aquelas imagens e sons que a maltratavam diariamente. Aqueles belos olhos castanhos judiaram bastante de v&#225;rios homens, mas especialmente em um, ele foi fundamental para mudar toda a hist&#243;ria. Jo&#227;o Carlos &#233; um rapaz rec&#233;m chegado de uma cidade serrana e &#233; estudante de direito. Residente nas proximidades da universidade, acaba rendendo-se as festas e encontros universit&#225;rios. Em uma delas, conhece Clara e naquele instante nada mais tinha valor. O conhecer arrebatador de Jo&#227;o &#233; apenas visual, n&#227;o chegou a proferir uma &#250;nica palavra. Mas apaixonado e perdidamente extasiado com o belo retrato constru&#237;do da composi&#231;&#227;o de Clara, ele passou a viver cada dia mais a imaginando. Jo&#227;o n&#227;o sabia, mas Clara nestas alturas j&#225; tinha marido, e estava com um beb&#234; a tira colo. Neste intervalo de lembran&#231;as a viu, naquele instante o mundo parou e sorriu delicadamente. Jo&#227;o aproximou-se e disse: __ Oi. Tudo bem? __ Sim, vou bem. __ Clara? __ Sim e voc&#234;? __ Jo&#227;o __ Belo nome, mas n&#227;o sei quem &#233; voc&#234;? Neste momento Jo&#227;o sentiu que tudo o que sentia era puro del&#237;rio imagin&#225;rio de uma paix&#227;o visual. Apenas despistou, inventou uma mentira qualquer e seguiu seu rumo. O ano passou, a esta&#231;&#227;o mudou, mas Clara continua sofrendo as conseq&#252;&#234;ncias de casar e ter que ag&#252;entar o autoritarismo do casamento. Seria o presente repetindo os momentos do passado. Certa noite lembrou-se que o nome do seu segundo filho ser&#225; Jo&#227;o. E n&#227;o sabe o real motivo.</description>
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[...]nada queria al&#233;m de entender a solu&#231;&#227;o da solid&#227;o impiedosa em aparecer.&#34;







Foi apenas um olhar atento sobre os telhados das velhas casas no centro de Curitiba. Ali nas imedia&#231;&#245;es, encontravam-se os redutos de pessoas distantes de presenciarem a amadora felicidade, de encontrar abra&#231;os, ali&#225;s, abra&#231;os recebiam, vez em outra, de alguma informalidade casual. O telefone j&#225; tocara muitas vezes, todos eram apenas especula&#231;&#245;es matinais, nada resolvia para concluir, que os fatos com prazo vencidos, tinham mais algumas horas de acr&#233;scimo. Resolveu n&#227;o atender mais o telefone naquela manh&#227;, saiu com passos mais r&#225;pidos que um c&#227;o desesperado atr&#225;s de seu dono. No instante anterior a sua decis&#227;o escutou uma conversa de pessoas distra&#237;das sobre o tempo ocioso de estar na procura de um filme fora de catalogo. Esta conversava ecoava em sua cabe&#231;a, que nada queria al&#233;m de entender a solu&#231;&#227;o da solid&#227;o impiedosa em aparecer. Escutou um ru&#237;do de um carro que derrapou no asfalto quente, a rua tumultuada de gente apressada, as lojas com sua roupas desbotadas, e as cal&#231;adas &#250;midas do calor, tudo isso, foi motivo suficiente para voltar para o sil&#234;ncio dos seus momentos. Antes de voltar para o seu apartamento, resolveu comprar um suco de laranja. O apartamento estava com as janelas fechadas, e os urubus ilustravam os telhados das velhas casas. Sem pedir licen&#231;a para si mesmo, abriu as janelas ferozmente. Despistou o olhar e ap&#243;s olhar atentamente os telhados, e os pr&#233;dios vizinhos, resolveu contorna-los e se fixou a olhar os carros que passavam em uma velocidade alta, naqueles momentos, talvez fosse melhor atender ao telefone. A campainha tocou, nada seria t&#227;o injusto, como uma visita naquela hora, mas resolveu atender a porta. N&#227;o foi nada al&#233;m de um aviso da portaria sobre a reuni&#227;o do condom&#237;nio. Sentiu-se aliviado em rapidamente poder voltar para seu pr&#243;prio universo. A televis&#227;o ligada foi sinal que a solid&#227;o come&#231;ava a preocupar, o sof&#225; espa&#231;oso tinha lugar de sobra, e nem um coment&#225;rio tinha direito de fazer. Desistiu de continuar em frente ao televisor. Encaminhou-se para o quarto, que ficava no sentido oposto da janela das paisagens dos telhados. Sem perceber pegou-se a olhar perdidamente o os pertences bagun&#231;ados, a cama vazia, len&#231;ol desarrumado e, o &#250;nico travesseiro atravessado. O guarda roupas ainda sustentava lembran&#231;as de passados recentes. A partir daquele dia, n&#227;o pensou mais em conseguir apenas olhar os velhos telhados e os carros apressados nas avenidas. </description>
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&#160;&#34;prazer foi omitir a mentira disfar&#231;ada nas primeiras tardes de ver&#227;o&#34;
&#160;&#160;
[...] Com o acumulo da &#225;gua das &#250;ltimas chuvas fortes de ver&#227;o, o caos se perverteu para amassar a fatia mais insana do pensares mais humanos. O latido do cachorro af&#244;nico, ap&#243;s uma noite de festas revela o quanto os quereres foram mais insanos. Prazer foi omitir a mentira disfar&#231;ada nas primeiras tardes de ver&#227;o. Sentou-se para olhar a chuva, deixou a &#225;gua passar embaixo dos seus p&#233;s, com a m&#227;o esquerda segurava o guarda-chuva, e a m&#227;o direita, pin&#231;ava um cigarro de filtro fino, heran&#231;a esta oriunda dos filmes brit&#226;nicos da d&#233;cada passada. Os olhos enxergam mais que simples imagens, percorrem as pernas, encantos e pudores iconoclastas da modernidade. Logo sem pedir licen&#231;a, nem entender muito de progresso, chega um senhor, que pede um cigarro, sem muito social, solta o guarda-chuva e busca a carteira e entrega-o. Tinha certeza que o momento era &#250;nico, e naquele plano de chuva, guarda-chuva, cigarro, caos e modernidade, o retrato figurava como resultado de ser cena da realidade. N&#227;o pode continuar sentado, a chuva aumentou a for&#231;a, e os deveres o recrutavam para mais uma tarde. Ap&#243;s, dentro de casa, sentiu, que aquela cidade n&#227;o era seu lugar, precisava logo mudar de ares, para n&#227;o enfartar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . N&#227;o mudou, apenas come&#231;ou, diferente da chuva passada, agora faz retratos e desenha a realidade. </description>
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		<title>Lembran&#231;as pr&#243;prias</title>
		<link>http://naosounenhumverissimo.blog.terra.com.br/lembrancas_proprias</link>
		<dc:date>28.12.07</dc:date>
		<dc:creator>Bruno Scuissiatto</dc:creator>
		<dc:subject>Artes</dc:subject>
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&#34;o pudor sempre &#233; esquecido em nome das boas maneiras, mas nunca &#233; deixado de lado quando &#233; exigido em pensamentos&#34;.







Maria Clara sempre que podia passava na panificadora na volta do trabalho e comprava p&#227;es franceses para n&#227;o precisar sair na manh&#227; seguinte para compr&#225;-los. Costumava chegar do trabalho por volta do notici&#225;rio das 19 horas, vez em quando perdia as noticias por esbarrar em conversas descontra&#237;das com as vizinhas e conhecidos de bairro. Ao adentrar sua confort&#225;vel casa na Alameda dos Pinheiros primeiramente jogava sua bolsa sobre o sof&#225; e ligava o televisor no canal em que o apresentador era mais agrad&#225;vel que a noticia. Aumentava o volume, permitindo-se assim lavar o rosto tranquilamente e n&#227;o perder nenhuma mat&#233;ria do notici&#225;rio. Entre uma noticia e outra conseguia preparar o jantar e programar o pr&#243;ximo dia. Tudo acontecia em perfeita sintonia, sabia escolher suas renuncias e preparar o famigerado esp&#237;rito combalido de tanto sofrer nos &#250;ltimos anos. Quando sem querer escutou em uma propaganda uma frase que falava sobre o futuro e do futuro quis fugir, mas n&#227;o encontrou sa&#237;da, foi levada pelas lembran&#231;as para o mundo em que foi feliz. Neste tempo suas lembran&#231;as eram limpas e casuais, nada parecia lhe tirar o sorriso estampado em todas as manh&#227;s. Mas diferente daquele tempo parecia querer enfrentar a dor, que nunca ousou enfrentar. Forte demais n&#227;o permitiu as amarguras estragarem seus desejos, jurava a felicidade ser sua companheira, mesmo que algo acontecesse e a fizesse por momentos pensar de forma diferente. Relutou sobre tantas transforma&#231;&#245;es de pensamentos, pessoas e atitudes insanas. A perturba&#231;&#227;o sempre se desprendia do suposto jeito de sentir o mundo. Sentada na mesa enquanto jantava voltou seu olhar para o calend&#225;rio e come&#231;ou a contar quantos dias iria precisar para poder estar distante de toda aquela amea&#231;a de bem estar. Sem muito for&#231;ar descobriu que o homem com quem um dia trocou palavras de amor estava casado e distante da cidade onde morava. Ao mesmo tempo sentia que ficar presa na vontade sentimental n&#227;o era uma maneira mais eficaz de ambicionar a felicidade. A partir daquele instante Maria Clara descobriu que o pudor sempre &#233; esquecido em nome das boas maneiras, mas nunca &#233; deixado de lado quando &#233; exigido em pensamentos. O mundo come&#231;ava diferente para ela, durante suas jornadas de trabalho e conv&#237;vio com as pessoas do seu circulo de amizades era tudo correto, talvez fosse uma forma de esconder dos seus sentimentos a car&#234;ncia de nunca conseguir viver o amor novamente. Mas sempre que entrava na sua casa na Alameda dos Pinheiros voltava a sonhar com os embalos daqueles sentimentos e fazia de tudo para voltar a recordar tudo que um dia a presen&#231;a trouxe em sonho. Promete uma tarde dizer tudo o que sente sem precisar assinar contrato, at&#233; l&#225; o pudor continuar&#225; a ser exclusividade dos pensamentos... </description>
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