Não sou nenhum VERISSIMO

Blog do zine Não sou nenhum VERISSIMO.

Não sou nenhum VERISSIMO

Blog do zine Não sou nenhum VERISSIMO.
<  Setembro 2007  >
S T Q Q S S D
          1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Setembro 2007

16.09.07

34 palavras

 

 

E depois do susto o sorriso alcançou a casa toda.
O inverno daqui a pouco e os conselhos de sua mãe são respostas que antecipam perguntas.

- Aquele momento nunca mais cansou de acontecer.

  • criado por  Bruno Scuissiatto criado por Bruno Scuissiatto
  • Postado em 13:25:15

Linhas com sintomas de saudade

"Escrevo linhas para diagnosticar verdades"

Envelhece a estação ,
a faíxa na rua
até o velhos ladrões.
Envelhece o pensamento
a reza e a promessa.
Envelhece o livro
a água, os cachorros.
Envelhece a roupa
brecho e o Armani.
Envelhe a idade
Corpo e saudade.
Envelhece sotaque
maldade e realidade
Envelhece figurinha repetida
Copa do mundo e capa de revista.
Envelhece o novo
sem saber viver.
Envelhece as velhas músicas
e as tuais em nosso ouvidos.
Envelhece mais antes
o que não aproveita o momento.
Envelhece as árvores
muito mais para quem nunca a escalou.
Envelhece os beijos
o batom e toda ausência
de quem nunca amou.
Envelhece as horas
verdade e saudade.
Envelhece
eu , você
e toda a realidade.
Envelhece o momento.
Envelhecemos juntos
com certa saudade de amanhã.

  • criado por  Bruno Scuissiatto criado por Bruno Scuissiatto
  • Postado em 00:00:16

15.09.07

O pudor da tarde insistente em acontecer

Esfrega os olhos cansados de tanto sofrer nos últimos minutos. O espelho do banheiro é platéia daquele rosto pálido. Busca encontrar motivos para despistar as reais condições em que sua vida encontra-se.
A vida seguia seus princípios rotineiros. Os seus encantamentos ao longo dos enlaces proporcionados pela felicidade matrimonial eram vistos em todas as direções. O porteiro do Edifício Pedro Manuel sempre recebia cumprimentos cordiais do Dr Carlos Eduardo. Até alguns transeuntes do calçadão recebiam menções do doutor nas suas saídas para o trabalho.
O espírito fraterno de contribuir com as pessoas, especialmente as de mesma genealogia, fez do seu amplo apartamento um local onde recebia familiares dispostos em buscar oportunidades na cidade maravilhosa.
Em uma manhã de maio, Felipe seu sobrinho mais novo, chegou a cidade do Rio de Janeiro. Recebido com um abraço caloroso e apertado do seu tio e, um beijo dissipado e estalado com gosto por Maria Luiza.

 Naquele instante o olhar do jovem garoto confrontou-se com a suposta carência de Maria Luiza, vinte e dois anos mais velha. Aliás, naquela manhã Maria Luiza não poderia estender honras ao sobrinho de seu esposo. Rapidamente pegou sua bolsa e colocou o óculos de sol, rumando para o hospital, onde ocupava o cargo de cardiologista. Carlos Eduardo e Felipe ficaram sentados no sofá da sala, conversando distraidamente sobre histórias familiares. Entre as lembranças suscitadas resolveram ir andar no calçadão da praia. Após caminharem e olharem as pernas torneadas e bronzeadas das moças, decidiram retornar ao apartamento.
O tio resolveu tomar um banho. A solidão naquele momento propiciou ao menino olhar atentamente para as fotos espalhadas de Maria Luiza pelo apartamento. O encantamento despertado pelas fotos trouxe o frescor do beijo recebido na chegada. Carlos Eduardo precisou ir ao banco. Sozinho naquele imenso apartamento e cercado de certezas incovenientes, Felipe decidiu tomar um banho demorado para ajudar relaxar o corpo da intensa viagem. Enquanto o menino estava no banheiro, Maria Luiza retornou do hospital e despiu-se das roupas cotidianas. Vestia apenas um conjunto de lingerie preto. Enrolado na toalha Felipe abre a porta e encontra a mulher do tio Eduardo com trajes modestos, ela dirigia-se para um banho. Sem jeito o menino mal consegue pronunciar uma palavra.
Durante o banho a médica pensava em como aquele menino poderia resolver alguns problemas enfrentados ao decorrer de vinte anos de casamento. A companhia daqueles braços vitais e rápidos a fazia delirar em imaginar o ardor de estar junto ao sobrinho do esposo.
Ao sair do banheiro Maria Luiza não titubeou em esquecer seus desejos e jogou-se sobre o colo de Felipe que estava sentado no sofá da sala. Perplexo com a situação Felipe timidamente resolveu participar ativamente da cena. Ofereceu caprichos nos beijos árduos de pudores. Nada interrompia o ímpeto dos desejos amantes. Maria Luiza sentia-se como tempos atrás. Aquele menino com toda vitalidade da juventude a saciava.

Boa Noite.
Provavelmente a saudação ao porteiro noturno da entrada do edifício tenha sido a última antes de presenciar a traição da esposa amada com o sobrinho. Carlos Eduardo caminha com passos ligeiros em chegar em casa e poder beijar a esposa. Mas, seus beijos foram trocados pelo olhar vilenpediado em enquadrar a cena. Os olhos focavam apenas o enlace dos amantes.
Carlos Eduardo gritou uma palavra que traduziu bem a ordem do acontecimento.
Adúltera.
O silêncio da situação interrompeu-se com os passos agoniados de Carlos Eduardo para o banheiro. E a rápida ação dos amantes enterrados confortavelmente no sofá. Felipe saiu do apartamento apenas com a roupa do corpo. Maria Luiza ainda atordoada com a situação batia desesperadamente na porta onde o esposo encontrava-se. Explicava com palavras diretas que a traição foi apenas um desejo em apetecer a libido surgida naquela tarde.
Perdoe-me.
Perdoe-me.
Repetiu diversas vezes.
Carlos Eduardo chorava continuamente e com a mão esquerda ainda ostentava a aliança de casado.
Não respondeu nada.
Sentia ser seu amor mais forte que a traição emoldurada naquela tarde.


  • criado por  Bruno Scuissiatto criado por Bruno Scuissiatto
  • Postado em 04:33:57

10.09.07

Cachorro sem nome

" O conto representa a condição do entardecer sem adoecer"

O cheiro de jasmim invadiu a porta, trazendo saudade das tardes chuvosas de verão. As brincadeiras de roda repletas de expressões infantis, letras desenhadas nas árvores, violão desafinado e músicas cantadas no embalo da rede, são lembranças insistentes do passado. Tempos que deixaram um legado além da saudade. A visão é nítida do jardim, a janela permite olhar, sem precisar pedir desculpa ou permissão em imaginar legalmente as paisagens, onde brincou.
Certa manhã foi pega de surpresa pelo cachorrinho aparentemente abandonado que aparecerá no sítio da avó. Os pelos marrons e ralos, denunciavam suas costelas salientes. Foi até a cozinha e encheu um pote de leite. O trouxe com as mãos pálidas de medo da reação da avó ao saber que pegou leite para alimentar um cão abandonado. O mamífero praticamente engoliu tudo de uma única vez, constatando a fome.
Antes de pensar em um nome para chama-lo, sua avó apareceu. As mãos agora tremulas faziam conjunto com a boca que deletreava um pedido infantil de desculpas. D.Clara com aquele olhar carismático de avós, disse:

- Minha filha, que cachorro mais lindo.

Assustada com a reação da avó, pensou em contar a história. Mas não conseguiu. Naquele momento esperava apenas poder levar o cachorro para sua casa.

D.Clara astutamente falou sobre a boa ação da neta em levar leite ao pobre animal com fome. Sem entender muito, apenas sorriu discretamente.
Várias vezes enquanto lia fabulas escritas por seu avô, corria os pés sobre os pelos macios do saudoso cachorro.
A saudade daquelas cenas proporcionaram um encontro com passado natural e belo em acontecer.
Antes mesmo de voltar a sentar-se, olhou para descobrir de onde o vento trazia o cheiro de jasmim, que não percebia desde aquelas tardes infantis...

  • criado por  Bruno Scuissiatto criado por Bruno Scuissiatto
  • Postado em 02:45:00