| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||
| 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 |
| 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 |
| 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 |
| 27 | 28 | 29 | 30 | 31 |
"Madrugadas inéditas no sorriso do céu da cidade"
Aurora
Passeios nas tardes de inverno
silenciosa aurora
frescor do jardim em aparecer no meio do caminho.
Menina bailarina
querubim desfilante em passarelas
de outros confins.
As tardes enganadas
em olhar para o banco da praça
contando nos dedinhos
quantos anos tem
todas as árvores da cidade.
Desenhos em nuvens
pensou.
Acredita, hoje não ter mais conforto
desenhar nuvens alegres
em tardes de sol nubladas.
Aurora do tempo
foi
esqueceu-se de deixar recado.
Madrugada Silenciosa
Contou segredos
mais próximos das estrelas,
percorreu caminhos
mais próximos da soberania,
cantou sinfonias
mais próximos da poesia,
fez da saudade uma palavra prazerosa
nesta madrugada silenciosa.
"A vontade de lutar estar na fresta de sonhar"
A porta que abre o silêncio
recebe a flor.
A porta que fecha o aconchego
é a mesma que recebe a dor.
A porta do mundo
estava aberta
você não entrou.
A porta não aceita depois.
O vento apenas tem permissão
para deixar a porta aberta
e quem sabe
entrar um pouco depois.
"Não soube notícias da próxima semana na cidade"
Os tristes passos cederam lugar para o sorriso espaçar a volúpia da cena em acontecer. O elevador parado subtraiu a chance de reaver desejos maiores em suceder uma tarde restrita as conversas informais dentro da sala de aula. Distraidamente não percebeu o elevador estacionado no térreo. Antes mesmo dos seus olhos perguntarem-se o motivo pelo qual ainda não teria saído do lugar, o porteiro nem um pouco cordial, a não ser quando pedia um cigarro, segurou a porta do elevador com um sorriso e uma saudação colérica de boa noite. No intertvalo enquanto explicava a rotatividade de alguns moradores, percebeu os passos agoniados em aproveitar uma carona naquela ida do elevador. Conseguiu. Timidamente os olhos entrelaçaram-se formalizando uma saudação rápida de uma breve apresentação resumida em boa noite. Curvou a cabeça para a porta reveladora de tantas histórias e descobriu ser o 11º andar. Limitou-se a olha-la pela sequência dos vidros do elevador 2x2. Encostada no fundo do elevador a menina que tinha na testa um breve suor, resultado dos passados rápidos para angariar aquela ida no elevador, ainda tinha resquicios da maquiagem após um dia intenso de trabalho. A bolsa a tira colo, escondia o certo tremor dos seus singelos braços castos. Sentia a necessidade de falar algo, talvez, uma frase qualquer. Não conseguiu. Verdades passadas passeavam por sua cabeça, mesmo que não fosse a hora mais apropriada. Estalo espaventado. 11º andar. Dois passos fraternos de desejos, boa noite e até mais. Até mais respondeu. A eufonia provocada por aquela voz doce conjugou com o aroma do perfume estacionado dentro do elevador um sentimento de desculpa por andar celebrando a tristeza pelos cantos. Ápós sair do elevador, sabia apenas ser o 11º andar o local da abstração do coração em sonhar.
O espelho embaçado
do banheiro
é o melhor lugar
para escrever um poema
e deixa-lo apagar
sem a força do pensar.
E
fossem todos os poemas escritos
em espelhos embaçados do banheiro
as noites de calor
não saberiam
explicar a diferença
no encontro do pensar
com as estrelas.
Escrever poemas
em espelhos embaçados do banheiro
é apenas para ilustrar os dedos
na falta da caneta.