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" a sombra da cidade projeta-se de qualquer lado"
.. não acredita ser apenas mais uma cena, como a vista, ontem no cinema. Um beijo, com trago de teatro, vislumbrante do retrato. Muitas já conhecerá, poucas interessou-se saber a verdadeira identidade, além dos falsos e enciumados beijos, alguns roubados, outros acalourados. Sempre perdido em dramas, anestésicos dos pensamentos corroídos na madrugada, preferiu ausentar o cigarrinho, depois de perceber, a solidão da fumaça, após desvincilhar-se do trago. Misturado aos embalos do vapor abafado, á escorrer barato pela janela, percebeu o quanto era dependente de sentir-se um retirante de sentimentos. Por mais próximo que as chances teimassem em demonstrar afinidades, escolhia os pormenores motivos, para evitar acreditar ser apenas uma comparacão sem muito sentido, naquilo que sempre acreditou ser a razão verdadeira do amor. Tarde, a manhã, já abria espaços para o sol aparecer. Resolveu sair pelas cantos sinceros, desocupados pela gente que inventava frases, para conseguir algo mais que simplesmente sorrir. Ao cruzar a primeira esquina, lembrou vagamente da cena vista, não a mesma do cinema, mas a da vida, que chegava sem fazer muito barulho, deixando frestas de pecado, vistas de qualquer lado..
" Sentiu vontades nunca exploradas"
O itinerário parecia estar correto, sentado em um banco gélido, buscava conseguir desprezar o vento interesseiro em tentar atrapalhar o prazer de acender o seu cigarro de palha. Após riscar por algumas vezes o palito de fósforo, resolveu atender a vontade de libertar fogo. Não sorriu, nem mesmo mudou sua fisionomia, cansada, além dos anos de trabalho pesado em lavouras de café do norte do estado. O chapéu que usava, tinha um tom branco, mais amarelado na aba, por conta da fumaça instigante do seu cigarro. Entre um trago e outro, escutava uma mulher falante, talvez sua memória combalida pelas longas horas de exposição ao sol, não ofertassem saber ao certo quem era a mulher.
O banco já ocupado por mais gente e uma meia dúzia de sacolas, assistia á cena, talvez encenada, seria um grande retrato do teatro. Um velho aposentado com seu cigarro de palha, segurado entre os lábios centrais, escutando uma mulher que parecia falar com as mãos e, um menino, com dentes de leite, á brincar com algo que segurava entre os dedos anestesiados da espera entediante da rodoviária. Naquele ambiente de certa forma caótico, estreiavam sentimentos saudosos. O velho, não levantou-se, mas agora sabia quem era a mulher que gesticulava de forma exacerbada. Não fosse um pensamento distante da inércia daquele lugar, não iria reconhecer o encontro do passado, sonorizado pela felicidade, em sentir o presente com gosto de futuro em ter a filha mais nova por perto. O cigarro não findava, passou a mão calejada sobre a cabeça do menino sentado, ainda á brincar com as mãos, descobriu ser seu neto. O ônibus não chegou. A viajem atrasou. O que importava atrasar, quando os relógios estiveram parados por muitos pensamentos distantes da realidade.
A vida na cidade seguiu adiante, com alguns casais apaixonados á passear de mãos dadas e, outros verbos para serem conjugados...
" Acredita como quem vive por viver"
Mulher de poucas palavras, sempre buscou prevalecer sobre casos e acasos que ao longo da vida superou, colecionando-se de fatos protuberantes à inocência dos sentimentos em sempre acreditar, por mais cínico que as cenas fossem em registrar encaixes de felicidade. Suas dúvidas normalmente pairavam no sentido analgésico da espera acomodada pelo o que seus olhos comumente enxergavam. Nunca preocupou-se com as manhãs do amanhã, permitindo ser cordial com as folhas rastejantes do vento de final de outono. Após acordar, revigorar fatos para encarar mais um dia, resolveu tomar um banho, inocente á água que delicadamente escorria pelo sua cabelo e contornava seu rosto, não poderia desconfiar dos golpes do destino em moldurar parte dos seus pensares mais emocionais. A razão estupenda da vontade em estar sempre de mãos dadas a uma harmoniosa apresentação de fatos recorrentes aos seus merecimentos, foi tema, alicerce da vocação em ultrapassar limites impostos caprichosamente pelo seu coração. Desconfia da vida, como fizesse a pergunta "vale a pena" querer conviver no mundo, cada dia mais distante da saudade em sentir um abraço feliz e natural. As poucas palavras agora são uma sinfonia nada singela de placas descoloridas saintes do céu de sua boca. Acende um cigarro, apenas alguins tragos, antes de digerir solidão recorrente. Fecha as janelas, corrompe cortinas amarelas, criando sensações de vislumbrar o sol á adentrar a sala de sua casa. Perde-se entre lençóis amassados da cama, prefere não arriscar tempo, desperdiçando argumentos. Derrepente o telefone toca. Após três toque insistentes, resolve atende-lo. Na outra linha uma amiga, mas daquelas que não importam-se com questões relevantes da vida, preferindo rir sem saber o motivo. A conversa é curta e estreita, não é preciso diálogo. Até mais. Até. Mal sabia que á partir daquela conversa quase monossilábica seus interesses mudariam, e não seria acaso, mas sim por acaso.
"A vida além das canções da cidade"
O silêncio foi mais que puramente aparente, não quis mostrar indícios naturais, optando por desejos mais escancarados que o sol penetrante pelas frestas da janela, contornantes do cabelo, amarrado mais acima do que o costumado. Talvez, nunca tivesse notado-a, mas á partir daquele espasmo de gratidão, disfarçadamente encontrou desejos que, amparados naqueles olhos castanhos brilhantes, formava junto aos resquícios de sol, uma moldura nada obscura da verdade apaixonada. O empenho da obrigação servil, não conseguia inibir os pensamentos, na Rua dos Albergues, na altura do número 818, permetiu-se cheirar a manga da própria camisa, sentiu um aroma, resultante dos pormenores encantos, combalidos nas imagens mais discretas do sol sustentante da janela á refletir-se naquela menina, que certamente, já despertava o coração de um outro alguém.
Conflitada pelo convívio saturado com o namorado, ela preferiu mostrar-se indiferente e, saiu para entre retratos, confinada pelos vasos e cortinas de seu quarto se pôs á chorar. Muitas perguntas tentavam evidenciar o tempo em que a felicidade seria artigo vistoso naqueles olhinhos castanhos, agora os mesmos olhos eram amargurados da incerteza mais distante da estagnação em viver, sem entender o final, comumente o extra da tristeza natural de um relacionamento.
O paradoxo mostrava o quando as realidades distantes, são diferentes.
Enclausurado nas tarefas do trabalho, não conseguia deixar de lado um único momento, fez perguntas, negando respostas, quem sabe, estivesse totalmente perdido, sem abrigo, em perigos de amores, perdidos em esquinas, comovidos pelo singelo, ou retrocesso das indiferenças aparentes, por mais atributos que possuisse, uma vida embriagada de adjetivos e beijos hostis, não complementavam mais sua satisfação em apenas viver á vida, consumindo fatos, que ao pensar teriam um gosto trágico.
A novela á distraia, colocava-se sonhando em frente á televisão, imaginava ser á atriz, sem a tristeza essencial.
Engraçado a vida não os apresentou formalmente, instintivamente ela imaginava encontrar um homem, que complementa-se com ele. Ao mesmo tempo o sujeito despistava a paixão avassaladora em mais um copo suado de bebida, embriagado pelos amores mal resolvidos.
Até quando a pluralidade da cidade vai permitir aos dois viver em distância, permanecendo em mundos distintos...
" A pressa é inimiga da certeza"
Maria Clara sempre procurou não apenas satisfazer seus artefatos em retratar a vida em simples fatos, como os vendidos em classificados de bancas de jornais. Cansada dos acordos e modismos da sociedade, resolveu abdicar dos pudores, e resolveu não usar valores demasiados, quando tratar-se de assuntos conectados aos instintos mais permitidos, conjugados em sensações além de simples batimentos cardíacos. Outrora, quando percorria as páginas de um romance, deparou-se com á vida de uma personagem, que ao primeiro instante causou-lhe repúdio, mas confortada pelos goles quentes do café preto, conseguiu entender o espírito e as justificativas para tentar ser mais fiel á vida. Após finalizada á leitura, voltou-se para suas pernas, á certo modo pálidas, acompanhantes de suas mãos brancas em contrastar com os belos e longos cabelos pretos. Debruçada sobre a janela, observará o mundo que passava rapidamente pelas avenidas da cidade, sem notar, que em uma outra janela, do outro lado da rua, escondia-se um senhor, não observante da avenida, mas sim dos requisitos logo abaixo ao pescoço de Maria Clara. Certamente mais um dos tantos homens, enferrujados pela vida promíscua, rastejante pelas escadas de tantas casas enciumadas de dissimular lares, onde o afeto resignado extrapola os limites de ver o mundo, entre as paredes do seu apartamento, apenas. A vida que corre ao longo das ruas, esquinas e calçadas da cidade, não imagina, ou mesmo acredita não imaginar, que encontros, limitados por pudores, são controversos á razões do coração. Maria Clara, já imagina, um afeto bem distante da libertinagem do último amanhecer, antes do sol colocar-se como espelho, de passos apressados em troca de sentimentos, que lacrados perderam sentidos, ganhando ouvidos do senhor vizinho. E, um dia imaginou-se no papel de mãe, mas ao pensar na possibilidade de assistir o passado vestindo o futuro, desistiu e continuar á apenas tripudiar seus momentos ímpares em grande partes das vezes.