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"Quando os versos são realidades é complicado ser entendido"
A ida não poderia ser considerada melhor, poucas vezes sentiu-se conjugada com a sobriedade enciumada frente a própria personalidade, além da maquiagem apresentada ao espelho.
As condições deixavam ser uma espécie de sinceridade acalourada, presente no lustre do olhar exarcebado. Ao sair na rua, sentiu um enorme vazio na razão do coração, originando um contraste nada interessado em somar certezas dispostas naquele "eu" angariado de felicidade.
Não sabia enganar a sensação que chegou sem permissão, mas aquele sorriso, era esnobe demais e sinceramente não precisaria esconder a dualidade estampada nas certezas vivenciadas, mesmo que apresentadas em um mundo pluralizado.
O convívio com todas as novidades era na verdade mais uma condição para deixar a saudade esquecida para as noites de televisão e céu empoeirado. Ao conhecimento dos lugares, percebeu as pessoas e, assim começou a vigiar mais uma fatia de mundo, sentindo-se mais forte, preferiu o silêncio.
A volta não foi muito diferente da ida, mas já sabe qual caminho seguir para não desperdiçar a oportunidade em mudar e não preocupar-se em apenas agradar.
Naquela noite, ela descobriu, mais algumas razões para estampar no peito, algo além do coração.
"Na página do livro, encontro-me com um pedaço de mundo rasurado"
Ao pensar
buscou encontros
que tão variáveis
chegam a incomodar
verdades consoantes
á serem faladas.
Não existe espaço
apenas um certo lugar
para o encaixe
de mais uma lacuna
para começar apenas
mais uma das histórias.
As flores despedem-se
a volta é recomeço
da porta permetida
na amostra convexa
da sensação.
Olhar abstrato
abajur apagado
talvez ainda
tenha o retrato
condizente com a realidade
naquele faixo de mundo
com aroma de sinceridade.
"Escrevendo cartas e descrevendo suas próprias histórias"
A distância do afeto almeja a tranquilidade em lutar consciente na modernidade dos sentimentos. Após muitas insistencias em tentar desbravar os labirintos, pouco equacionados das paixões, decidiu cultivar o movimento do mundo, além dos olhares flutuantes, entre planejado e inesperado.
Após a ida ao cinema, ficou a se perguntar, o valor real dos sentimentos além da tela e do aroma da pipoca amanteigada a premia-la. Tudo passa pelo beijos estalados do casal de namorados e recaí sobre a dúvida da legenda, que um tanto tremida, permitiu um quase artigo exilado de palavras e frases mal terminadas.
O cansaço não permite deixar a televisão deligada, e logo aparecerá aquela propaganda que de tantas prestações, poderia ofertar também corações, para serem arrematados em sentimentos condizentes com as situações.
Quando o sorriso é domesticado a ser apenas uma distração da emoção, fica a pergunta sobre o ensaio que muitas tardes não permitem, apenas lembram a saudade do tempo em momentos fragmentados.
Aquilo tudo que faz força para esquecer, prefere ainda lembrar e deixar o inesperado premiar.
"Cortinas abertas para o sol encontra-la"
O ponto
traz a chance
da frase
passar mais um aniversário
em tom azul anil.
A exclamação
seria o sinal
na pergunta
silenciada
que exige resposta cadenciada.
Uma vírgula.
além de pausar a leitura
também separa a ternura
entre
amar, viver, sonhar.
As palavras
combinadas de sensação
denominam um coração
permitindo o título
ser apenas um gerúndio enclausurado
no meio de tantas tardes distantes da linguagem.
A interrogação
seria apenas um sinal
ao contrário
investindo perguntas
que não merecem respostas
mesmo formados em sentido horário.
"A cidade é apenas uma placa na entrada e muita gente apenas em retrato"
Enquanto caminhava a rua buscava mostrar o quanto era preciso correr e não precisar descrever a surrealidade subjetiva das muitas formas em permitir as vozes cadenciadas dos passos, serem apenas mais alguns distraídos e muitos outros apenas ouvintes, podendo serem equivocados. Nesta rotina silenciada, repleta de saudade, faz valer o sentido, além das placas de sinalização. E já ouve o coração sem razão de amar e creditar mudar.