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"a canção não é mais a mesma
parece uma lua no cinema
iluminada e sozinha
na procura de um namorado"
Gosto da solidão
Traga na escuridão
Passos largos no chão
Entenda razão
Misture o coração
Junte a sensação
Animada da condição
Nesta última estação
"Multiplicar opostos e somar contrapontos"
A inquietude não a permite sonhar, somente imagina passos largos e rúbricas afirmativas em buscar acalanto nas estrelas, enquanto o silêncio encontra na chuva uma trilha nada musical de carnaval. Quais esperanças seriam mais espaçosas que um simples abraçar do coração, quando a parte mais interessante, não mostra nem mesmo seu próprio pesar.
Ao entrar em outro mundo, seria uma maneira de entender o próprio mundo de quem espera resposta, imaginando exata, mesmo quando o gosto, confunde com um retrato, na distância chamada de saudade.
Ainda quer acreditar no sentidos mais presentes, mesmo eles parecendo dormentes em tantos modos e jeitos, confundindo a manhã com apenas alguns minutos da tarde, e não sabe mais que horas sonhar.
Os sorrisos escondidos, não maltratados, esperam uma chance de deixar a inquietude ser apenas mais uma maneira de não esquecer, tudo aquilo que um dia prometeu ser especial, mesmo quando porta um pequeno coração retangular.
"Música sem refrão no embalo do coração"
As canções carnavalescas são surdas, e livre é a vida, que sonha na madrugada tardia, como algum dia no passado mudado. Um abraço feliz e um olhar cheio de saudade, e talvez nenhuma novidade.
O coração bate
tum tum
repleto de saudade
na cidade vazia
cansada do marasmo.
Pediu mudanças
Mas, esqueceu de mudar-se
E, agora procura encontra-se
Talvez em outro lugar
Ela apenas faz mudar, contenta-se com os livros encostados na sala de estar. Acredita e também omite o quando gosta de acordar tarde e ver filmes de suspense, mesmo quando recebe convite para estar em contato com pessoas novas. Há algum tempo, resolveu olhar no espelho e vislumbrar a contramão dos defeitos todo adoçados de efeitos, confessando os colaterais serem mais fortes e audaciosos, enquanto uma parcela de solidão a faz bem.
É, quando respostas, são apenas respostas, perguntas tornam-se informais e, apenas o olhar traduz, já querendo dizer algo, uma fina textura de retrato feliz ao lado. A exibição para as nuvens acostumadas a passear, sobre encantos e nostalgias futuras, chega a ser uma solene canção do destino em forma de unção no verão. Quando lembra-se chegou a hora de voltar encontrar as páginas repletas de calma, daquele livro - Páginas Brancas do Amor.
A noite finda, um belo dia de sol, começa movimentar as telhas, um acalanto com gosto de saudade. O corpo esguio com a bolsa a tira colo, fotos 3x4, cartas e documentos. Um dia a mais na vida da menina, mais uma certeza da mudança, mesmo o futuro passando atrasado.
O tempo é superficial, quando ela encontra-se sem igual explicação, na ótica contrária ao coração.
" Idiota é aquele futuro planejado"
É. Nada é igual a nada, ninguém igual a ninguém, alguém distante de alguém, todos dizem amém.
Seria simples, não fosse confuso, seria bonito, não fosse o espelho. Aconteceria não fosse a falta de tempo, melhoraria caso tivesse chance. Seduziria com flores, caso ganhasse para isso. Roubaria beijos e esconderia o silêncio, caso convidado estivesse além dos versos em beijos.
Ouviria boa música, não fosse a modernidade musical, leria um bom livro, não fosse apenas os conhecidos estarem empilhados, alguns empoeirados nas livrarias.
Seria fácil.
Não teria sentido em acontecer traduzir pensamentos em fatos. Mais sábio e menos rebelde que deixar o fracaso tomar conta da gente.
É nada é igual.
Tudo muda.
A menina inocente casou.
O vestido longo encurtou.
A noite meiga entregou os pudores.
A canção mudou um pouco a forma e ultimamente mesmo incendiada de glamour intempestivo ainda canta versos assim:
"Um coração que segure
Não leve embora
Agora a chance de viver a liberdade
Junto a felicidade
Com vontade "